O novo avião de transporte militar “EADS CASA C-295”, que vai substituir o “Aviocar”, tem chegada prevista no próximo dia 2 de Novembro ao destacamento aéreo do Porto Santo, sendo apresentado à comunicação social e entidades civis e militares regionais na tarde do dia 5 pelo secretário de Estado da Defesa e ainda o chefe de Estado Maior da Força Aérea. Segundo o tenente coronel Gaspar, relações públicas da Força Aérea, o “Aviocar”, estacionado na Região desde os anos 90, deverá regressar nessa mesma semana à Base Aérea N.º 6, em Montijo, unidade a que está adstrito.
Quanto ao novo aparelho, trata-se de um bimotor turbohélice desenvolvido para o transporte táctico militar pelo braço espanhol da empresa CASA (entretanto absorvida pela europeia EADS), sendo que este ainda não está equipado com o sistema de vigilância marítima (VIMAR). «A nossa frota de C-295 é constituída por 12 aviões no total, sendo sete com a versão normal e cinco com a versão VIMAR. Destes cinco, já recebemos dois, pelo que, para já, colocamos aí a versão normal. Mas, assim que tivermos todos recebidos, é intenção colocar um na Região com essas valências. O que está previsto, em termos de calendário, é recebermos até final do ano os cinco aviões e no princípio de 2011, poderá haver essa mudança, sendo que já iniciamos a formação nesses equipamentos», explicou o nosso interlocutor, acrescentando que a equipa que vai operar com estes novos aparelhos será rotativa (de 15 em 15 dias, a exemplo do que já acontece).
O C-295, a exemplo do seu antecessor, vai estar apto para uma maior capacidade no transporte aero-médico entre Porto Santo e Funchal, mas também para auxílio à missão do helicóptero EH-101 em operações de busca e salvamento, conforme destacou o mesmo responsável. «Este avião tem uma maior capacidade e é muito mais moderno em termos de equipamento de detecção, sendo que vai dotar a Madeira e Porto Santo de uma maior capacidade, tanto no transporte como no auxílio. Com o EH-101, já fizémos salvamentos perto de Cabo Verde, no limite da zona exclusiva. Ora, o C-295 tem essa capacidade de melhores comunicações e mais autonomia para ir mais longe que o “Aviocar”. É uma melhoria substancial na capacidade de auxílio à Madeira», prosseguiu o tenente coronel.
A estimativa de voo entre as duas ilhas é de 15 minutos, sendo que durante o dia, em 30 minutos, a tripulação, esteja onde estiver, está no avião e este pronto a descolar. Durante a noite, o alerta é de 45 minutos.
Em jeito de conclusão, o tenente coronel Gaspar releva a nova tecnologia deste avião e destaca a forma como está a decorrer o programa de entrega dos aparelhos até final do ano. «A manutenção dos aviões também está assegurada por contrato, de modo que é uma melhoria muito grande», afirmou.
Possibilidade de trazer carga entre as duas ilhas
A 17 de Fevereiro de 2006, o então ministro da defesa português, Luis Amado, assinou um contrato para a aquisição por Portugal de 12 aeronaves C-295, destinadas a substituir o C-212, originário de Espanha e cuja contratação foi efectuada ainda no tempo da guerra colonial. A nova aeronave, adquirida em muito menor numero (apenas 12) que o C-212 “Aviocar”, do qual foram adquiridas 24 unidades é no entanto muito superior ao pequeno avião de transporte da Força Aérea Portuguesa que nos últimos trinta anos se tornou familiar nos noticiários portugueses.
Ao contrário do C-212, o novo avião terá possibilidade de atingir os Açores ou a Madeira com carga, coisa que não ocorria com o “Aviocar”, que sempre foi extremamente limitado no que respeitava à autonomia. Pensado como aeronave para apoio directo de tropas no terreno, o “Aviocar” entrou ao serviço da Força Aérea já depois do fim da guerra e nunca foi de facto utilizado para aquilo que tinha sido adquirido, ou seja: o apoio táctico de combate. O C-212, que foi desenhado para operações militares intensivas, operando de pistas muito curtas e desembarcando uma unidade do tipo pelotão, praticamente pronta para combate.
DIMENSÕES
Envergadura 25,8 m
Comprimento 24,5 m
Altura 8,6 m
PERFORMANCES
Velocidade máxima 470 Km/h
Velocidade cruzeiro 410 Km/h
Raio de acção 4.500 Km/h
Tecto máximo 9.900 m
Distância de descolagem 670 m
Distância de aterragem 320 m
Peso vazio 13.000 Kg
Peso máx. descolagem 23.200 Kg
Peso máx. carga 9.250 Kg
Passageiros 70
Pára-quedistas 66/45 completamente equipados
Macas/paramédicos 24
Combustível 7.700 Lts
O CASA C-295M integra a mais recente tecnologia existente do mundo aeronáutico e a sua capacidade de operar em teatros de conflito está sustentada em equipamentos de comunicações “seguras”, agilidade de frequência (V/UHF), radar táctico (APN-241), sistemas de detecção de iluminação radar e de proximidade de mísseis, lançamento de "Chaff & Flares", POD de "Jamming" electrónico, iluminação interior e exterior compatível com NVG ("Night Vision Googles") e "Armour Cockpit".
Fonte:Jornal da Madeira