O Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, na Grande São Paulo, vai ter condições de operar com visibilidade zero a partir de 2011. O Serviço Regional de Proteção ao Voo de São Paulo (SRPV-SP) anunciou nesta sexta-feira (16) a instalação do sistema ILS3, que garante a precisão de pouso sem que o piloto enxergue a pista. Isso significa que Cumbica não precisará mais fechar por mau tempo. Desde junho, a neblina impediu que 60 mil passageiros pousassem ou decolassem.
Teoricamente funcionando 24 horas por dia, Cumbica ficou fechado mais de um quarto desse tempo no último mês e meio. O aeroporto opera atualmente com o sistema ILS2, que exige do piloto uma visibilidade de pelo menos 60 metros à sua frente, o que nem sempre é possível. A categoria 3 que o Brasil vai alcançar em 2011 é o que há de mais avançado em segurança de voo no mundo. Aeroportos dos Estados Unidos, Bélgica e Inglaterra já utilizam o equipamento desde a década de 1960.
Para usufruir da nova tecnologia, no entanto, as companhias aéreas precisarão se adaptar. Hoje, apenas a TAM tem sistema compatível com o ILS3, e, ainda assim, apenas em aeronaves que fazem rotas internacionais. Além disso, para pousar em meio ao nevoeiro, o piloto também precisa de um treinamento especial. Tais exigências ainda não são obrigatórias, de acordo com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
Instalar o equipamento mais moderno ainda está longe de ser a solução para a situação aeroportuária. Com um investimento de R$ 150 milhões até 2014, ano da Copa, a Aeronáutica pretende ampliar a capacidade de controle de voos tanto em Cumbica quanto no Aeroporto do Tom Jobim/Galeão, no Rio. São Paulo tem hoje capacidade de 45 movimentações (pousos e decolagens) por hora em seu aeroporto internacional e poderá receber até 60 aeronaves simultâneas. O problema é que não há capacidade de pista nem terminal de passageiros para isso.
"Por enquanto, ainda não existe infraestrutura aeroportuária adequada. Mas se a Infraero decidir expandir os aeroportos, estaremos preparados", disse o coronel José Moretti da Silveira, chefe do SRPV-SP.
CONGONHAS
Outra pedra no sapato da aviação brasileira, Congonhas deve ganhar uma torre de controle até 2011, que permitirá visualização total da movimentação de aviões - a atual, construída em 1945, não dá aos controladores uma visão completa: é preciso o auxílio de técnicos da Infraero no gerenciamento dos "pontos escuros" da pista. O aeroporto doméstico de São Paulo também continua sofrendo com a interferência das rádios piratas na comunicação entre o piloto e a torre. Por ser um aeroporto pequeno com pista mais curta, Congonhas continuará operando com a tecnologia ILS1, que exige o mínimo de 800 metros de visibilidade à frente do avião.
O maior contemplado com os investimentos da Aeronáutica, Cumbica continua o aeroporto mais movimentado do Brasil - são 213 mil pousos e decolagens por ano, seguido pelas 195 mil movimentações de Congonhas. Pelo aeroporto internacional da cidade passam 69 mil passageiros por dia, distribuídos em 660 aeronaves. Ainda em São Paulo, em 2009, o Campo de Marte superou o aeroporto internacional do Rio (Galeão) em número de voos - foram 140 mil contra 136 mil. No céu de São Paulo cruzam, mensalmente, 53 mil aeronaves, o dobro da média mensal do Rio. A intensidade da movimentação de helicópteros no espaço aéreo em São Paulo e no Rio mostra o quanto o Brasil depende de transporte aéreo: foram mais de 88 mil só no ano passado.
Fonte:Nataly Costa - AE