12Aérea News: Confusão no primeiro dia de juizados especiais

Confusão no primeiro dia de juizados especiais

No primeiro dia dos novos juizados especiais nos principais aeroportos brasileiros, sobraram dúvidas. Os postos, montados para facilitar a vida dos passageiros, não tinham horário de funcionamento definido, acabaram instalados às pressas, tiveram pouca divulgação e chegaram a ficar sem rede. Além disso, o prazo inicial de funcionamento sugerido é de seis meses - tempo que pode ser prorrogado ou reduzido conforme a procura.

"Nós não temos um tempo estipulado para manter o serviço, vamos até não ter demanda", explicou o presidente do Tribunal de Justiça do Rio, Luiz Zveiter. "Já é um teste para Copa do Mundo e Olimpíada."

Os juizados foram criados pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) na terça-feira passada, para tornar mais ágil a resolução de desentendimentos entre passageiros e empresas nos casos de atraso de voos, perda de conexões, extravio de bagagens e overbooking. "Com a nova resolução da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), que amplia os direitos dos passageiros, consideramos ser necessária novamente a presença da Justiça nos aeroportos", disse o corregedor nacional de Justiça, ministro Gilson Dipp. O serviço já havia sido adotado na crise aérea - de outubro de 2007 a março de 2008. Na época, o de Cumbica, por exemplo, registrou 2.293 queixas, com 524 acordos obtidos (índice de 22,85%).

A inovação agora é que o juiz não participará presencialmente dos encontros de conciliação entre passageiros e funcionários das empresas aéreas. Caso haja acordo, o termo elaborado é enviado via rede ao juiz, que homologa o documento digitalmente. "Mas devemos pôr advogados para ajudar as pessoas nesses tribunais", disse o presidente da OAB, Luiz Flávio Borges D’Urso

PROBLEMAS - No entanto, a falta de organização entre as diversas instâncias fez o serviço ser pouco procurado nesta sexta-feira (23). Em Congonhas, na zona sul da capital, houve apenas uma conciliação em um caso de atraso de voo. Em Cumbica, o atendimento começou com atraso de seis horas e só houve um acordo. Em parte, a baixa procura ocorreu por falta de divulgação. Em Congonhas, não havia placas ou folhetos. E o problema não é de fácil solução: a divulgação, segundo o CNJ, caberia à Infraero. Mas a autarquia informou que apenas cederia o espaço e a obrigação de informar seria dos juizados.

Também houve desencontros nos horários, que não foram fixados na terça pelo CNJ. Segundo Dipp, o JK terá o serviço 24 horas - e o mesmo vale para Cumbica e Tom Jobim, por causa dos voos internacionais. Mas Márcia Luiza Negretti, diretora do Juizado Itinerante de São Paulo, afirma que "não houve tempo para treinar funcionários" e, por enquanto, o serviço só funcionará das 9h às 23h (em dias úteis). Já em Congonhas, os funcionários do TJ não souberam informar o horário previsto para os dias da semana.

Quanto aos limites de atuação, mais problemas. No Rio, o securitário Paulo Castelo Branco cobrou de Sveitzer que aceitasse queixas de lojas e serviços de táxis. "O senhor tem razão, vou ampliar o atendimento", prometeu

Fonte:Agência Estado via Bem Parana