A distância entre as duas cidades é de 572 km. Se de carro, a pessoa leva cerca de sete horas para ir de Natal à capital de Alagoas, de avião o tempo gasto é praticamente o mesmo: um dos voos sai de Natal às 15h50 e chega a Maceió em torno de 23h e o passageiro ainda enfrenta duas conexões – uma em Recife e outra em Salvador. A segunda opção não é melhor que a primeira. A pessoa sai da capital potiguar às 6h10 e chega em Maceió às 13h50, tendo que fazer uma conexão em Brasília.
Outras rotas aéreas que ligam as cidades do Nordeste não diferem muito da situação acima. Mas, se o deslocamento entre os estados da mesma região é demorado, viajar para outras partes do Brasil exige uma verdadeira prova de paciência. De Natal para Boa Vista/RR, região Norte do país, por exemplo, no voo que sai às 15h50 e chega ao destino às 24h45, o passageiro gasta nove horas entre avião e aeroportos. O trecho inclui conexões em Fortaleza e Manaus, além de uma escala em Belém.
Segundo Carol Mallen, da Porto Atlântico Turismo, o problema da malha aérea não é só devido ao grande número de escalas e conexões, mas principalmente pela demora entre um voo e outro, o que faz com que a pessoa perca muito tempo entre a partida e a chegada ao destino. “Isso influi no valor da passagem e gera dois perfis de passageiros: os que viajam a trabalho e a passeio”, diz.
O primeiro grupo, como tem que otimizar o tempo de deslocamento, normalmente termina pagando a tarifa mais cara, mas que o permita chegar mais rápido ao destino. Por outro lado, quem viaja a passeio tem mais tempo disponível e normalmente prefere economizar no bolso.
O problema vem sendo discutido por autoridades do segmento turístico das várias esferas administrativas, principalmente por causa da realização da Copa do Mundo de 2014 no Brasil e do grande número de turistas que está sendo aguardado no país. A discussão gira em torno da necessidade de mobilização dos empresários e do Poder Público para investirem em infraestrutura e na expansão da malha aérea dentro do Brasil.
No primeiro semestre deste ano, o ministro do Turismo, Luiz Barretto, defendeu o incremento da malha aérea do Nordeste para aumentar a integração regional e fortalecer o turismo doméstico. Até porque, o próprio MTur tem incentivado as pessoas a viajarem pelo país, como ocorreu com a campanha “Se você é brasileiro, está na hora de conhecer o Brasil”, que estimula as viagens, principalmente no feriados prolongados. A solução viável apontada pelas companhias aéreas para diminuir o tempo das idas e vindas da aviação seria a colocar em operação aeronaves menores, com menos assentos.
Outra opção foi apresentada durante um evento nacional que tratou do assunto. Algumas empresas defenderam o fretamento como uma opção para aumentar a oferta de voos nos destinos turísticos brasileiros. O fretamento serve para alavancar vários destinos turísticos e gera um mercado que posteriormente poderia justificar a criação de uma linha regular.
Enquanto a solução não ocorre, os estados vão trabalhando para tentar encurtar essas distâncias. No início desta semana, a Azul, a novata das companhias aéreas, que acaba de completar um ano de operação no Brasil, fez o voo de lançamento do trecho Natal/Campinas. A frequência é diária, partindo de Campinas às 10h com chegada a Natal às 12h20. O outro, sai de Natal às 12h50 e chega a Campinas às 17h10.
Na opinião do secretário municipal de Turismo, Francisco Soares Júnior, um dos negociadores dessa nova rota junto à direção da empresa, esse é um importante passo para a melhoria da malha aérea do Rio Grande do Norte e que irá possibilitar a ligação com o segundo maior mercado brasileiro e porta de entrada para o interior paulista. A meta das secretarias de Turismo do Estado e do Município é continuar negociando com as companhias aéreas a vinda para Natal de outros voos que facilitem a vida de quem viaja pelo Brasil afora.
FONTE:nominuto
Por Zenaide Castro